quarta-feira, 21 de abril de 2010

O X do ponto G

 Um texto muito interessante.... Será leitura obrigatória para os homens? Penso que sim!


O gozo masculino é melhor quando se ‘feminiza’ 
Por Arnaldo Bloch



Um episódio clássico da série que leva seu nome, o filósofo Jerry Seinfeld, num daqueles momentos de stand-up comedy, compara o gozo feminino (no sentido da desejável “tarefa” em geral masculina de proporcioná-lo) à Bat-Caverna (o esconderijo de Batman), dizendo mais ou menos o seguinte: 

  — Ninguém sabe onde fica. E, se a gente vai lá, não tem a mínima ideia de como chegou. 


  Claro que não é bem assim. Não é nada assim. Em primeiro lugar, o orgasmo feminino não depende só de quem proporciona, mas do estado de espírito da mulher, de sua personalidade, de sua relação com o próprio corpo, do quanto ela se toca, e de uma infinidade de aspectos de sua subjetividade. 


  Aí entra (!) o homem lato sensu: claro que são fatores importantes sua habilidade, as técnicas, os encaixes, seus conhecimentos anatômicos, sua sensibilidade, sua paciência, suas características, em face às preferências da parceira. Mas a Mãe Natureza é misteriosa e generosa: em alguns casos (os melhores), a química, por si só, faz maravilhas sem qualquer esforço de uma parte ou de outra, sendo que os detalhes técnicos podem ou não participar da festa, só como uma cereja no embalo do bolo. 


  Mas num ponto a piada careta e simplificadora de Seinfeld acerta em cheio: o orgasmo feminino é rico, complexo, e sua geografia é um mistério. A ponto de se ter criado o conceito do ponto G como algo que poderia vir para explicar, mas que acabou servindo para confundir. A existência de um ponto “atrás do osso púbico, perto do canal da uretra e acessível através da parede anterior da vagina” como sendo o centro ótimo da estimulação orgástica (trazendo inclusive uma série de benefícios médicos) criou uma espécie de corrida ao ouro, que, no final, se revelou infrutífera: embora muitos e muitas se gabassem de tê-lo encontrado, a coisa sempre esteve mais para história de pescador. 


  Isso não quer dizer, de forma alguma, que o ponto G não exista, como agora um estudo vem preconizar. Ao contrário: o que não existe é uma localização determinada para ele na vastidão da sexualidade feminina. Assim, o fato de o ponto G ser um mito, por paradoxal que pareça, é a prova maior de sua existência! 


  Ele existe em vários lugares. Um hoje, outro amanhã. Ou ao mesmo tempo, ubíquo e onipresente, em todos os lugares. Ou, creiam, num lugar só e em vários, complementarmente. O gozo feminino é uma onda de energia que percorre todo o corpo, pode durar muito tempo e conduz a um estado de alma posterior elevadíssimo, que transcende o simples desejo de dormir depois do “descarrego”, tão característico do orgasmo masculino. Este tende a ser descrito como sempre localizado e de curta duração. Ou seja, o ponto G do homem estaria muito mais próximo da definição original: sua localização é conhecida, é o pênis (ou, segundo algumas vozes iogues, outras iogays, a próstata...). 


  Por isso o homem inveja tanto o orgasmo feminino. Alguns buscam, através de esforços tântricos ou reichianos, a superação. Outros desistem de ver nele algo tão especial, como um amigo meu que, dia desses, veio com essa: 


  — Arnaldo, tem tantas coisas melhores para se fazer com uma mulher do que gozar! Quer gozar, vá ao banheiro. 


  Ou seja, para esse meu amigo, gozo=ejaculação. A não ser no banheiro, onde a fantasia bate um bolão... Respondi de bate-pronto: 


  — Cara, a qualidade do seu orgasmo com mulheres deve estar muito baixa. E vou te dizer: depois que passei dos 30, e, mais ainda, dos 35, o orgasmo passou a ser ao mesmo tempo mais demorado, mais intenso, mais curtido e mais espraiado. Sobe pela espinha, solta o peito, liberta os pensamentos... 


  — Menos, Arnaldo. Você está descrevendo um orgasmo feminino. 


  Se é isso, que assim seja. Uns 20 anos atrás, lembro-me de meu pai dizendo coisa semelhante. Que, com a idade, o gozo dele foi melhorando. Talvez seja isso: como a mulher é sempre mais madura que o homem, ela goza melhor. Quando o homem atinge, tardiamente, a maturidade, ganha de presente esse atributo: o gozo com G maiúsculo. Donde se conclui, penso, agora, com meus botões ainda atados, que o ponto G, em toda a sua grandeza e virtualidade, existe para todos, homens e mulheres (heteros ou gays), onde quer que ele esteja, e quando for o momento. O ponto G é único e múltiplo, individual e coletivo, pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e sua geografia é mais quântica que newtoniana. E ponto final.






2 comentários:

Rubem Padrão de Siqueira disse...

Sem essa de GPS pra achar ponto A ou Z. O mais legal disso é descobrir que ele é GG ou XG!

Gabriel Pinto disse...

Muito bom esse texto... e a charge no final é incrivel!!!

Parabéns!